Bancos de ossos existem no Brasil há várias décadas, e praticamente todo hospital com algum volume de cirurgias ortopédicas (em particular artroplastias de quadril), já teve um freezer onde cabeças femorais foram estocadas para serem usadas como enxerto.
A possibilidade de utilização de tecido ósseo estocado tem despertado interesse crescente por várias razões: impossibilidade de obtenção de grandes quantidades de osso autólogo, associada à morbidade do local de retirada de enxerto, aumento no número de revisões de artroplastias de quadril e joelho, e o desenvolvimento de técnicas cirúrgicas que dependem de osso homólogo. Recentemente houve o reconhecimento que uso de enxertos de tecidos músculo-esqueléticos são uma forma de transplante, com seu conseqüente enquadramento em normas governamentais, inclusive com proibição do funcionamento de bancos de tecidos precariamente instalados.
Com a regulamentação de Banco de Ossos haverá uma demanda potencial não apenas em Ortopedia, mas em outras especialidades, como Neurocirurgia, Cirurgia Plástica, Crânio-Facial, Odontologia, etc. Nos Estados Unidos são transplantados tecidos ósseos em mais de 150.000 operações por ano.
O Banco de Tecidos Músculo-Esqueléticos (B.T.M.E.) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná foi inaugurado em novembro de 1998. Localizado no 6º andar do prédio central do Hospital de Clínicas, tem como objetivos fornecer ossos, cartilagens, ligamentos, tendões e fáscias para cirurgias em diversas especialidades visando melhorar a qualidade de vida dos receptores. É pensando neles que o B.T.M.E. prioriza o controle de qualidade, já que a transmissão de doenças entre doador e receptor é um risco real. Há necessidade de seleção criteriosa dos doadores e de realização de exames específicos para atestar a probidade do enxerto.
As atividades do B.T.M.E. incluem a coleta, o processamento e a distribuição dos tecidos. A coleta é um procedimento invasivo e por este motivo o risco de contaminação é grande. Segundo protocolo os tecidos contaminados durante a coleta não são processados, sendo descartados. Devido ao aumento do número de cirurgias que utilizam enxertos ósseos e o pequeno número de doadores de tecidos, faz-se necessário que se desenvolvam estudos para um melhor aproveitamento dos tecidos coletados sem que sua qualidade ou segurança sejam alteradas, já que o transplante de ossos é utilizado para melhorar a qualidade de vida e não trazer riscos aos receptores.
A solução para a falta de doadores será, a exemplo de outros países, a notificação compulsória de óbitos de todos os hospitais dentro de um raio de ação do BTME. A divulgação dos princípios e do papel do transplante de tecidos na melhora da qualidade de vida das pessoas é papel de instituições governamentais.
Ano |
Doadores | Receptores |
|---|---|---|
1999 |
6 |
39 |
2000 |
13 |
191 |
2001 |
14 |
277 |
2002 |
21 |
260 |
2003 |
12 |
285 |
2004 |
16 |
619 |
2005 |
38 |
925 |
2006 |
45 |
1602 |
2007* |
16 |
761 |
* dados até maio